sábado, 17 de agosto de 2013

Sou do tempo...

Eu sou do tempo antes da TV. E quando veio em preto e branco, tinha de esquentar. E se colocava Bombril na antena pra pegar.
Sou do tempo em que a novela em São Paulo era mais adiantada que no Rio. E no Rio era mais adiantada que em BH. Os parentes perguntavam  o que ia acontecer.
Sou do tempo que o primeiro controle remoto era com fio.
Sou do tempo em que não existia shampu. Quando ele veio era de ovo.
Sou do tempo em que não existia condicionador. Quando veio se chamava Creme Rinse e era cor de rosa. Xampu amarelo, creme-rosa.
Sou do tempo em que pasta de dentes vinha em tubos de metal. Phillips.
Sou do tempo em que não havia sinal de trânsito na Barata Ribeiro esquina da República do Peru.
Sou do tempo em que a tampinha da coca-cola era de metal, precisava de abridor, e por dentro tinha cortiça. O frasco era de vidro, se chamava casco e tinha de ser devolvido.
Sou do tempo em que carne se moía em casa. Em que se vendia galinhas vivas.
Sou do tempo em que a porta da geladeira dava choque.
Sou do tempo em que o freezer da geladeira era tão pequeno que só cabia um porta-gelos e um “tijolo” Kibon.
Sou do tempo em que a lavadeira vinha em casa pegar a roupa pra lavar e passar e se fazia “rol de roupa”.
Sou do tempo em que não havia butiques. Nem  lojas de roupas. Havia algumas “Casas” de moda . Roupa era feita em casa.
Sou do tempo em que as lojas de tecido tinham um estilista desenhando modelos para as freguesas, gratuitamente.
Sou do tempo em que todo mundo era magro.
Sou do tempo em que o guardanapo era de pano e que havia porta-guardanapo , um envelope de pano com monograma, individual.
Sou do tempo em que absorvente era Modess e tinha uma cinta, uma liga, sei lá pra se usar.
Sou do tempo das anáguas, combinações e ligas para meias.
Sou do tempo da “saída de praia”. Do tempo em que sandália hawaiana se chamava sandália japonesa.
Sou do tempo em que poucas pessoas tinham telefone.
Sou do tempo do plano de expansão.
Sou do tempo do cruzeiro. Do Cruzado. Do cruzeiro novo. Do cruzado novo.Do cruzeiro de novo. Da esquizofrenia.
Sou do tempo sem plano de saúde. Médico vinha em casa.
Sou do tempo do leque. Do lenço com monograma obrigatório nas bolsas.
Sou do tempo em que corretivo se chamava erase. E máscara se chamava rímel. E do delineador plástico.
Aí, estou  aguardando ser chamada pro exame de densitometria óssea pra saber se continuo com osteopenia ou se já passei pra osteoporose, vendo a Fátima Bernardes na TV falar sobre Parto Humanizado e uma senhora, mais velha que eu, me mostra a foto do neto que já é uma patente do exército e  me manda pintar os cabelos para eu parecer mais jovem.
Anh?



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