quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Antigamente era moderno

Antigamente, a vida era muito moderna. O Lixo, por exemplo, era reciclado, apesar dessa palavra não existir. Jornais forravam a lixeira da cozinha que só recebiam lixo orgânico. Vidros, potes, barbantes, papeis de embrulho, tudo era guardado. Exame de fezes? Fervia-se bem um vidro de remédio ou um pote de creme, etiquetava e laboratório. Batata frita? Secava no papel de pão.  Papeis de presente eram guardados para servirem para outros presentes.  Éramos modernos.
E ecológicos, embora essa palavra não existisse. Relógios e brinquedos não eram a pilha, eram de dar corda. Poucos aparelhos elétricos. Poucas lâmpadas acesas. Um único aparelho de Tv para toda a família. Em vez de jogos eletrônicos, cartas, dama, ludo, xadrez.
E saudáveis, apesar de não frequentarmos academia, andávamos (quem sabia e tinha) de bicicleta, andávamos, pegávamos bonde, comíamos pouco e em casa, nada de junk food, essa palavra não existia.
Não tenho saudades disso, mas tenho sinto falta de três coisas. O mar limpo da praia de Copacabana. Suas ressacas espetaculares. Ah! o tempo que se tinha para ver a ressaca, ver o nascer da lua!  Passear pelas macumbas do dia primeiro do ano, sem fogos de artifício.  Sinto falta do tempo, havia tempo. Hoje, vivemos no tempo da TV, no tempo do computador, não nosso tempo, no nosso ritmo.  O tempo era nosso.
Pode parecer estranho, mas não tive nenhuma frustração em termos de ganhar coisas na infância. Claro, havia um número menor de ofertas. Claro que eu adoraria ter uma casinha de metal igual a da Claudia Moritz, ou uma Chiquita bacana como as da Regina. Mas eu não precisava delas! A gente brincava juntas. Se minhas amigas tinham, eu não precisava ter. E se a boneca de papel rasgasse, minha irmã Licia desenhava outra pra mim.
Tempo... tempo.





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