domingo, 14 de outubro de 2012

Quando o anonimato sobe à cabeça

Na adolescência,conheci um rapaz que tinha o apelido de Pinguim. Pois um dia o colégio foi jogar futebol contra outra escola e havia no time adversário umPinguim. Pois o “nosso” Pinguim caiu em socos sobre o rival gritando “pingüim aqui sou eu!”
A internet é fabulosa. Ao mesmo tempo em que viabiliza que todos tenham a possibilidade de escrever em uma mídia, mesmo que só 5 pessoas o leiam, acaba criando a ilusão de fama em alguns pobres de espírito. Como o meu conhecido, só eles podem ser Pinguim. E seus pequenos trunfos são risíveis.
Já vi quem reinvidique para si a precedência da informação, uma loucura! 
Alguém coloca em seu blog, digamos, um  link, ou um trecho de uma matéria de jornal , e um anônimo com alter-ego louco replica: eu já tinha linkado isso no meu site. 
E daí? O que é mais importante, o assunto ou quem fez o quê primeiro? Lembra um outro conhecido que adorava contar piada e contava daquele jeito irritante, fingindo que tinha acontecido com ele. Pois se alguém contava uma piada para ele , ele desdenhava, fingia que já conhecia!
Ah.. os pobres de espírito.. Certamente há algo errado na tradução do Sermão das Montanhas!

Então por causa desses pequeninos seres, outros, já prevenidos, se vêem obrigados a aumentarem desnecessariamente sua grandeza pedindo permissão, como se isso fosse necessário, para também usar a informação que é de todos. Gentilíssimos. Quando isso ocorre comigo, minha resposta é LÓOOOGICO, nem precisava. Pois não precisa mesmo. Quem quiser copiar o que escrevo para divulgar para o bem ou para o mal tem direito de fazê-lo mesmo sem o selo do criative commons pois seria muita pretensão minha considerar qualquer coisa que faço como original.

Ora, seja um desenho, uma foto, uma frase, um artigo, um livro, seja o que for, mesmo que eu tenha feito sozinha trancada em um quarto, não me pertence. Eu não cheguei sozinha até lá . Cheguei lá porque estudei em livros de diversos autores, que, por sua vez, o fizeram em livros de tantos outros.Cheguei porque tive a sorte, o privilégio de nascer sob mantos de pessoas que pagaram minha educação.  Se desenho assim ou assado é porque li, vi coisas que outras pessoas fizeram, conversei com um tanto de pessoas e comi de café da manhã um cereal que também não foi plantado por mim. Enfim, não pode ser atribuído a mim. Eu não sou melhor do que ninguém: o que faço qualquer um pode fazer. 

Assim, direitos autorais, propriedade intelectual, rá! tudo isso é balela. O ÚNICO DIREITO AUTORAL QUE REINVINDICO FINANCEIRAMENTE É QUANDO ALGUM TEXTO , DESENHO O QUE SEJA, QUE EU TENHA FEITO ESTEJA SENDO USADO PARA GANHAR DINHEIRO.  Isto é, se uma editora vende meu texto, eu também ganho uma porcentagem sobre o preço da venda. Mas se é de graça, não ganho não. 
Por exemplo. Há anos, uma instrução programada que fiz, criei, para crianças sobre trânsito  como parte da disciplina Instrução Programada, acho que nos tempos de graduação, não lembro, talvez fosse no mestrado, chegou ‘as mãos de alguém do DETRAN. Falaram comigo e o meu trabalho foi usado como treinamento de guarda-mirim. Graciosamente, nem autorização escrita eu dei, nada de nada. Ganhei flores, muito gentis. Isso é o que importa! 

Discordo da famosa frase de Cacilda Becker “ não me peça de graça a única coisa que tenho pra cobrar”  Mesmo que fosse verdade que um ser humano só possa cobrar o que venha da sua atuação.  
Acho absurdo, antiético, antihumano, vergonhoso mesmo o fato de um cara só porque escreveu uma canção (como Feelings ou Imagine) nunca mais precisar trabalhar na vida. 
Por outro lado, é impressionante a cara de pau de quem quer que todo artista trabalhe de graça.
A coisa é simples: você vai ganhar dinheiro com o uso do meu trabalho? então tem que pagar e de acordo com o que você vai ganhar. Se algum dia a Coca cola quisesse usar algo  meu  teria de pagar e muito. Mas a festa de caridade do asilo da cidade do interior , mesmo ganhando algum, pra ela é de graça, eu pago pra fazer. 

Simples, não?
Ah.. o mundo pode ser melhor.

E o que vem a ser o título? é exatamente sobre a internet e seus blogs e imagens e coisas assim. Se alguém usar algo em seu blog tirado de outro, que dê o crédito. Só isso. Basta. Ética.  É para isso. Recentemente uma americana mal educadíssima me escreveu para proibir o uso de coisas do seu site – coisas não originais, sobre uma escritora, imagine, mesmo com link, referências à sua autoria, em uma comunidade daqui que eu gerencio.  Ela me escreveu dois dias após eu ter postado, logo a louca deve ficar checando o seu nome diariamente.  O anonimato subiu-lhe à cabeça!

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