sábado, 27 de outubro de 2012

De perto ninguém é normal


Esta frase é um verso de Caetano Veloso. Bem legal. Quer dizer, seria mais legal se fosse completa: mas, de muito, muito perto, tudo e todos passam a ser normais.
E exemplifico a minha tese apontando um inúmero grupo de  pessoas que se solidarizam com o bandido, já que o conhecem, sabem porque ele chegou ao mundo do crime, etc e tal.
Mas, às vezes penso que de longe também ninguém é normal.
Isso tudo passou pela minha cabeça após ver o filminho Loucos de amor, protagonizado pelo jovem gato marido da Demi Moore. No filme ele é autista,  do tipo que sabe números. Americanos gostam de números.
E ele tem uma história de amor com outra autista.
E alguns de seus jeitos me lembraram várias pessoas. Então, me dei conta que ou eu só conheço pirados, ou todos o são.
Também lembrei de Don Juan de Marco , protagonizado por  Depp. E Leonardo di Caprio em o Aviador e em Gilbert Grape. Richard Gere quase se tornou o doido de plantão: foi piradinho em  A procura de Mr. Goodbar,  bipolar em outro filme e  bandido piradão apaixonado pelo surfista prateado. Matt Demon não fez por menos : foi gay-assassino e gênio violento infeliz. Brad Pitt , muito pirado em 12 macacos. Russell Crowell encarnou o gênio maluco. Enfim, como se Hollywood nos avisasse: cuidado com o belo rosto, ele pode ser louco!
Isso sem contar com Jack Nicholson no excelente Melhor Impossível, Dustin Hoffman em Rain Man, Sean Pean , Robert de Niro em Taxi Driver, e a vida de Shine...
Imagino que se Hollywood acha que loucura dá grana, é porque os doidos estão por aí.
E doidos que trabalham, formam família, sustentam filhos. Alguns diagnosticados, como o rei Roberto Carlos e o belíssimo Beckham, e outros tantos que ainda não têm tabuleta mas nos cercam.
Por exemplo, duas mulheres que conheço aparam as rebarbas das embalagens de papelão que porventura sobrem após serem abertas em seus picotados. Consideram como um cuidado extremamente normal, mesmo ao se tornarem intolerantes e nervosas caso alguém, por brincadeiras, impedi-las de usarem suas tesourinhas. Outra, não consegue dormir sem antes esticar bem o lençol, bem mesmo, sem nenhuma ruguinha. Outra arruma a casa com constância. Arruma tanto que sua casa raramente está arrumada, já que está em permanente processo de arrumação. Outro  se incomoda caso um fio de cabelo roce seu braço, ou seja deixado em escovas de cabelo. Entenderam? as escovas de cabelo não podem ter cabelos. Quem poderá culpá-lo de insanidade com tanta higiene? Outro, apesar de adorar   música, não consegue ter cds se estes não forem da mesma gravadora. Outro acha difícil dormir se os interruptores múltiplos não estiverem virados para o mesmo lado. Precisa se levantar e verificar se estão para o sossego de seu sono. Caramba, se eu listasse tudo de maluquice com  a qual já convivi faria uma lista maneira que deixaria Melhor Impossível no chinelo!
Enfim, a famosa frase “cada louco com sua mania” parece fazer sentido. E quem convive, então, com artistas, sabe o quanto!
Por exemplo, quando o Museu de Arte Moderna passou a ser Museu de Arte Queimada, fui ver a exposição do acervo doado por Chateaubriand. Também vi a do Bispo do Rosário. Aqui pra nós, bem melhor! Isso me deixou várias questões sobre o que é arte e o que não é. Questões que ainda não resolvi de todo.
Mas o bonito do filme Loucos de Amor foi a tolerância deles aos tipos de loucura. Por exemplo, o rapaz não primava pela limpeza e organização, mas dependia de sua zona para seu equilíbrio. E ela, ao entender isso, permitiu a zona no pedaço dele. Latinhas de cerveja amassadas espalhadas, por exemplo.
Muitos casais discutem por menos do que isso. E, talvez, muitas dessas discussões sejam geradas por causa desses pequenos delizes das mentes, algumas necessidades de padrões. Recomendo , também, quem tenha tais necessidades, e sei que todas justificadíssimas, desconfie um pouco de seus  motivos, dê um crédito ‘as queixas de  seu companheiro/ra. Sabendo que são doidices, a vida fica melhor.  
Talvez eu mesma tenha algumas maluquices. Talvez algumas de minhas preferências sejam , na realidade, dependências psicológicas. Não sei, mas respeitar a do outro é sempre recomendável. Ele/ela gosta de deixar sapatos espalhados pela casa? permita. A casa é dele/dela também. Tem que ter uma ordem ao lavar os pratos, fica nervosa/o ao te ver lavando? relaxa, procurem o caminho do meio.
 E você? Qual é a sua maluquice? E que tipo de desavença ela já gerou?

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