quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Será que Freud explica mesmo?

Será que Freud explica?

Passei a manhã procurando um tubo de cola que meu amigo que mora lá no outro hemisfério me trouxe de presente. Uma engenhosa caneta da qual, em vez de tinta, sai uma fantástica cola que gruda realmente e não borra e, pasme! não enruga o papel. 

Não encontrei. Onde é que a meti? mas, em compensação, encontrei o produto exterminador de formigas, dessa vez em forma de injeção, do qual sai uma gominha amarela apetitosa para as formigas, e as tontas vão lambendo aquilo, como diz o meu caseiro, e gulosas, levam tudo no lombo em direção ao formigueiro onde lá, como um terrorista suicida, matam a inteira sociedade. 

Isso me cansa um pouco. Perco muito tempo procurando coisas. óculos, cola, caneta, documentos vivem se escondendo de mim. E eu, que já estabeleci várias vezes o método “ vou colocar aqui pra não esquecer” me vejo pulando pela casa gritando por São Longuinho, pensando na cor azul  e lembrando da máxima de minha avó” só se encontra arrumando”.

Recentemente algo realmente inusitado me aconteceu. Deixei na casa de minha amiga em São Paulo algumas coisas. Não sou disso. Lembro de trazer de volta tudo em viagem, checo várias vezes, refaço caminhos. Mas dessa vez esqueci. Velhice? Pode ser. Uma delas foi um lenço de seda que tenho desde os 15 anos de idade. Sério. E era da minha mãe, então, provavelmente é mais velho. Minha amiga já despachou o lenço e ele voltou pra mim.  É uma dessas coisas que não se perdem. Dessa vez ele quase se foi. Deve haver algum sentido simbólico que me escapa. 

Durante anos eu tive comigo uma rodinha, meio almofada, de limpar discos. De propaganda talvez. Cor vinho, em cima o selo “Columbia” . Ela estava na eletrola da infância. Mudou-se para a vitrolinha plástica da adolescência, passou a pertencer ao som gradiente da maturidade. Até que chegaram os filhos, com eles os hamsters e ela virou um bom aperitivo para o”Dum dum bolinha”(  meu filho seria um Adão muito divertido dando nomes aos animais)
Como os CDs substituíram os vinis, lá se foi a rodinha para o lixo, com um funeral adequado. 

Desapareciam dólares, cordões, canetas menos a rodinha de limpar discos. 
Meus filhos perdem óculos e celulares com alguma freqüência. Há quem perca sempre tudo. Um dos meus sobrinhos foi colocar gasolina no Canadá, deixou a mochila em cima do carro pra pagar, deixou a mochila pra trás com passaporte, e tudo o mais. Há, também, lugares engolidores, como uma poltrona da infância. Minha pequena mão conseguia meter-se entre o assento e o encosto e de lá tirar tesouros! Lembro especialmente de uma ventarola com olhos que morava no interior da poltrona. E o pianinho de brinquedo que trazia dentro dele outro banquinho! que surpresa foi aquela! Forros de casaco são mestres em esconder coisas. E como é bom quando a gente encontra dinheiro em algum bolso!

Talvez seja por isso que as coisas se escondam. Pra que a gente se surpreenda ao encontrá-las. Além de divertir a família pagando mico ao pular para São Longuinho, claro. 

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