segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Carta sobre meus princípios


A quem possa interessar:
Essa semana eliminei dos meus contatos do Facebook  uma senhora que conhecia há muitos anos porque ela se pronunciou, brincando ou não, a favor da tortura.
Tenho 57 anos. Não quer dizer muita coisa. Ainda claudico (agora de pé quebrado mais ainda) nas sutilezas do convívio humano. Sou um bebê que apesar de entender o motivo das guerras não me conformo. Sou uma menininha que não entende porque alguém faz fofoca e implica e segrega outro. Sou a adolescente que nunca entendeu porque alguém se recusaria a dançar com um rapaz só porque o jacaré da camisa dele não estava virado pro coração.
Na juventude assisti a muito filme ruim, li muito livro ruim. Porque queria aprender, saber, entender porque era ruim ou porque eu gostava do ruim. Mas também  estive perto de tudo que tinha a ver com arte.Queria saber o que havia de grandioso em Bergman, em Glauber. Li mais do que a maioria dos meus pares. E apesar de que ser culta estava na moda, isso me tornava um pouco estranha.
Ainda não dominei tudo, confesso.  Mas há certos princípios que me norteiam. Que me fazem.  Que me acalmam e me definem. 
Estou presente nas redes sociais virtuais desde seus primórdios. Percebi logo que é muito mais difícil enganar em uma comunidade virtual do que frente a frente. Em um papo de bar, alguém  faz uma piada racista, todo mundo ri, e o “brincadeira” ou “na boa” surge.  Em seguida engrenamos  um papo sobre o “politicamente correto” e tudo se esquece. No mundo virtual é diferente porque estamos no mesmo bar todos os dias e percebemos que  a tal brincadeira racista não é brincadeira: a pessoa realmente tem medo da diferença.
Foi assim com essa senhora que se manifestou a favor da tortura. Não quero estar próxima de alguém que acredita que é bom bater em mulher e torturar presos políticos.  Esta senhora foi bloqueada e nem poderá ler isso. Da mesma maneira que uma famosa senhora me bloqueou pois falei que condenava a glamourização artística que fazia em cima de um povo sofrido. Ela não gostou da crítica. Direito constitucional dela. Acho que o bloqueio fez bem a nós duas.
Assim sendo, para que ninguém se engane comigo, que já não sou a pessoa mais popular do colégio faz tempo,  aviso meus princípios:
1-      Seja como for, pobre ou rico, bem ou mal vestido, burro ou inteligente, sério ou engraçado, ignorante ou sábio, crente ou ateu, virgem ou pan sexual, se você é uma pessoa legal, do bem, eu quero ser sua amiga! Preciso de amigos , sinto falta de amigos e adoraria te conhecer.
2-      Se você é a favor da tortura, defende pedofilia (sexo  de um adulto com alguém menor que 15 anos) é racista,é homofóbico, e é “caco antibes” pois acha que pobre tem que ralar ou morrer, e ainda não está preso, por favor, nem fale comigo. Vire as costas se me vir na rua.
3-      Se você for de  extrema direita e só pense em ganhar dinheiro e viagens caras e seu sonho é ficar rico e famoso e casar com um milionário, também pode se relacionar comigo. Certamente deve ser uma pessoa divertida (sofrida ou ignorante ou burra mas divertida.) Mas se puxar o assunto saiba que vou responder, não consigo me calar.

Ainda não aprendi as artes da diplomacia. O sangue sobe, passa dia e pronto já me meto porque penso: se eu não defender o que é certo , eu que sempre me enrolei nos tapetes das regras sociais e hoje não preciso mais disso, quem é que vai falar o que precisa ser dito?
Se você leu isso até aqui e se mantém como amigo meu pessoal ou virtual fique sabendo que sou um pouco “Phoebe dos Friends,” faço os melhores biscoitos do mundo e não minto nunca. E uma das minhas características é ser a melhor amiga que alguém pode ter na vida.  
Mas isso é outro assunto. Aqui é apenas pra dividir a dor de  descobrir em alguém tão simpático e aparentemente do bem tal traço de caráter. E a vida continua!

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